O Brasil possui mais de 14 milhões de pessoas com diabetes, o que representa nada menos do que 6,9% da população. Saber o que é diabetes, ou estar familiarizado com termos como hipoglicemia e hiperglicemia, é fundamental para compreender a sua situação e tomar boas decisões.

Mas, mais do que isso, é muito importante entender que ao adotar novos hábitos é possível conviver bem com essa doença. E é justamente sobre isso que falaremos nesse artigo especial. Continue lendo e entenda como é possível mudar de rotina para viver bem com diabetes!

 

Hábitos, sua segunda natureza

De acordo com o dicionário, hábito é uma “maneira permanente ou frequente de comportar-se; mania”. Por natureza você não pensa para respirar, andar e piscar os olhos, certo? Essas são atividades que seu corpo realiza de maneira automática, sem precisar envolver a sua consciência.

Da mesma forma, quando você sente fome à tarde e recorre à padaria mais próxima para comprar um pão, sem nem pensar no que está fazendo (ou nas consequências desse alimento em seu organismo) está agindo de maneira inconsciente.

Essa é justamente a primeira coisa que você deve mudar em sua rotina para viver bem com diabetes: trazer para a consciência todos os maus hábitos que oferecem riscos ao equilíbrio correto dos níveis de glicose em seu sangue. Dentre eles podemos destacar, principalmente, a alimentação e a prática de atividades físicas.

 

Alimentação

Tudo que a pessoa com diabetes come ou deixa de comer merece uma atenção especial. A principal dica de alimentação no controle do diabetes não é a restrição alimentar, mas, sim, comer de tudo, em pouca quantidade e várias vezes ao dia.

A melhor alimentação para as pessoas com diabetes é, também, a melhor alimentação para quem não convive com a doença, mas busca uma qualidade melhor de vida.

Isso porque quem convive com essa doença deve optar por alimentos mais saudáveis, como frutas, vegetais, legumes, grãos integrais, leguminosas e carnes magras, além de evitar o excesso de gorduras saturadas, trans, colesterol e carboidratos simples de rápida absorção, que facilita o ganho de peso e prejudica o controle glicêmico.

Cada organismo reage de uma maneira diferente às dietas e tratamentos. Por isso, o ideal é que você procure um nutricionista especializado para fazer um plano alimentar personalizado. Dessa forma é possível potencializar os resultados, atingir as metas do tratamento e acompanhar a evolução da doença com maior precisão.

 

O poder da substituição

Uma vez que você comece a mudar sua alimentação, evitar determinados alimentos, como doces e açúcares, pode ser um verdadeiro desafio. Mesmo que o problema seja o consumo em excesso, muitas vezes é difícil controlar o ímpeto de comer para não ter recaídas.

Nesses casos uma excelente opção é substituir os alimentos contraindicados por outros de menor impacto em sua saúde. É importante saber escolher bem aqueles que se adequem à sua necessidade, sempre considerando a quantidade ingerida.

As frutas também podem ser uma boa sugestão para quem gosta de uma sobremesa ou doce. Mas, atenção! Mesmo sendo saudáveis e ricas em vitaminas e fibras, elas também contêm carboidratos e devem ser consumidas com moderação!

Para entender melhor a substituição é preciso saber que os alimentos foram divididos em grupos de acordo com sua composição nutritiva, por exemplo: carboidratos (pães, massas, arroz, batata), frutas, verduras e legumes, proteínas (carnes, leguminosas ou produtos lácteos), gorduras (boas ou ruins), dentre outras.

As substituições devem ser realizadas sempre de um mesmo grupo de alimentos, respeitando as quantidades estabelecidas em uma porção e melhorando a qualidade nutricional do alimento a ser substituído. Confira a tabela abaixo:

diabetes, tabela, nutrição
Tabela de substituição para diabéticos

 

Lista negra

A diabete eleva os níveis de açúcar no sangue, aumentando o risco de doenças cardíacas e outras complicações crônicas. Alguns alimentos contribuem diretamente nesse quadro, favorecendo o entupimento e o endurecimento de artérias. Por isso, é muito importante que você evite comer essas coisas, optando por alimentos que ofereçam benefícios além das calorias.

Ingredientes e receitas que contenham muito sódio, gorduras trans e saturadas, como os lanches fast food e os produtos industrializados, devem ser consumidos com muita cautela. Produtos lácteos e proteínas animais são fontes ricas em colesterol, por isso também devem ser evitados ou substituídos por uma versão mais saudável.

Mas, atenção! Adultos, crianças e idosos possuem recomendações nutricionais diferentes, por isso, consulte sempre um especialista!

 

Busque orientação de um nutricionista

O acompanhamento médico e nutricional é fundamental para quem convive com a diabetes, independentemente do tipo. Para evitar quadros de hiperglicemia (excesso de açúcar no sangue) ou hipoglicemia (baixa de açúcar no sangue) é preciso estar atento aos detalhes, fazer um monitoramento constante dos níveis de glicose sanguínea e, principalmente, contar com o suporte de bons profissionais.

Peça para seu médico ou nutricionista aponte quais alimentos e ingredientes você deve evitar consumir. Peça, também, para que ele sugira outras opções que podem ser utilizadas para substituí-los em sua rotina alimentar. Com atenção e cuidado é possível conviver muito bem com a diabetes!

 

A prática de exercícios

Existe uma diferença entre praticar exercícios e fazer atividades físicas. Enquanto a primeira se refere a um conjunto sistemático de movimentos, com planejamentos e objetivos específicos, a segunda faz referência a qualquer movimento que retire o corpo do estado de repouso e gaste energia.

De maneira simplificada, praticar exercícios é correr, pular corda, nadar, praticar esportes, dentre outros. Já as atividades físicas incluem uma caminhada até o mercado, subir as escadas até seu apartamento ou fazer uma faxina bem-feita em sua casa.

Entender essa diferença é muito importante, uma vez que a recomendação médica ou de um profissional de educação física muda em cada caso. Existem pacientes cuja prescrição é praticar exercícios para melhorar o controle dos níveis de açúcar no sangue. Para outros, os exercícios físicos em excesso podem ser prejudiciais.

 

Os benefícios de praticar exercícios

Em alguns casos, normalmente onde há um quadro de hipoglicemia ou hiperglicemia crônica, a prática de exercícios não é recomendada. Para a grande maioria das pessoas gastar energia auxilia na manutenção ou perda do peso corporal, contribui para uma melhor circulação do sangue e age na melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Ela contribui, também para reduzir o estresse e melhorar a autoestima.

Para as pessoas com diabetes os benefícios do exercício físico são ainda maiores: a prática aumenta o consumo de glicose pelos músculos, ajudando a controlar o diabetes e a reduzir os níveis de hemoglobina glicada. Além disso, melhora o quadro clínico do paciente ao reduzir os níveis de triglicérides, aumenta o HDL (bom colesterol) e ajuda a controlar a hipertensão arterial.

Uma boa dica para tornar a prática de exercícios um hábito em sua vida é escolher aquela que melhor se adapta ao seu gosto e à sua rotina. Quando você consegue se divertir fica mais fácil seguir o plano no dia a dia.

 

Acompanhe os níveis de glicose

Existem duas formas principais de acompanhar os níveis de glicose no sangue. O primeiro é o exame hemoglobina glicada, realizado em laboratório e que deve ser feito de três em três ou seis em seis meses, dependendo do quão controlada está sua condição.

Esse exame é uma forma eficaz de avaliar os níveis médios da glicose sanguínea nos últimos 3 meses. Quanto maior o nível de glicose no sangue, maior é a taxa de hemoglobina glicada. Existem valores de referência para o melhor controle do diabetes, mas, na verdade, é o médico que irá determinar qual é o ideal para você.

Vale lembrar que essa taxa varia não só com a faixa etária do paciente, mas também de acordo com o risco de hipoglicemia e as demais complicações clínicas.

Já o segundo é o teste de glicemia capilar, também conhecido como “exame de ponta de dedo”. Neste a pessoa com diabetes deve retirar uma pequena amostra de sangue, com ajuda de um lancetador, e medir os resultados com ajuda de uma fita reagente e um glicosímetro.

As pessoas com diabetes que precisam acompanhar a variação da glicose diariamente, ou diversas vezes por dia, devem acrescentar mais um hábito à sua rotina: levar sempre consigo o kit para monitorização glicêmica, composto por lancetador, fita reagente e medidor de glicose (glicosímetro). E, claro, a insulina, caso seja necessário.

Esse resultado é fundamental para que você faça as melhores escolhas para seu tratamento, decida o que comer, em qual quantidade e, também, em qual momento. Além disso, caso os níveis estejam muito acima do ideal é preciso aplicar as doses recomendadas de insulina para a correção. Por isso é tão importante manter o kit sempre por perto.

Entender o que é diabetes, as condições de hiperglicemia e hipoglicemia e aprender a reeducar sua alimentação e fazer exercícios físicos com regularidade são passos fundamentais para conviver bem com a doença em seu dia a dia.

Você sabia que ter bons cuidados com o glicosímetro também deve fazer parte da sua rotina? Saiba a hora de trocá-lo!

 

 

Revisado por Camila Cialdini Faria – Educadora em diabetes

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